TECNOLOGIA

Greve: entregadores de aplicativos paralisam e pedem melhores condições de trabalho

Quarentena em tempos de coronavírus ...da minha janela... segunda feira de isolamento social.
Avenida Paulista - São Paulo - SP. Foto: Roberto Parizotti.

Entregadores de aplicativos de todo o Brasil paralisam as atividades nesta quarta-feira (1º) em protesto contra a precarização do trabalho. As exigências vão desde reajuste no valor recebido à entrega de Equipamentos de Proteção Individual.

A paralisação faz exigências à apps como iFood, Rappi, Uber Eats e James, em um novo desafio à chamada “economia de bico” no Brasil. A principal reclamação deles é sobre a precariedade do trabalho, que muitas vezes envolve trabalhar muito e ganhar pouco.

De acordo com a coluna Tilt, do UOL, a previsão é que a manifestação ocorra em vários estados do Brasil, com atos físicos em alguns deles e pode, inclusive, chegar a outros países. Os entregadores também pedem que os usuários não peçam nada ao longo desta quarta-feira em apoio ao movimento que vem ganhando repercussão nas redes sociais.

O Site informa que o movimento começou em pequenos protestos, aos longo dos últimos meses, e que tomou corpo em grupos de whatsapp, de forma orgânica.

“Só queremos ganhar melhor para almoçar dignamente, trocar peça da moto e não andar precarizado. O novo normal não precisa ser só a mascara e álcool gel, é a forma nova de trabalhar. Só queremos ser remunerados”, disse o presidente da Amabr (Associação dos Motofretistas de Aplicativos e Autônomos do Brasil), Edgar Silva, o Gringo.

Por ser um movimento descentralizado, o ato é imprevisível.

Apesar de não ter lideranças, o movimento tem ganhado endosso até de figuras importantes da política nacional, como o ex-candidato à Presidência Ciro Gomes (PDT) e deputados como Marcelo Freixo (Psol). Mas os entregadores rechaçam qualquer envolvimento político na greve desta quarta.

Reivindicações
Reajuste de preços: atualmente varia em média entre R$ 4,50 e R$ 7,50 por aplicativo segundo os entregadores, que querem um reajuste. A taxa depende ainda da distância percorrida; de acordo com os entregadores, fica entre R$ 0,50 e R$ 1 por quilômetro rodado no app.
Reajuste anual: pedem que haja um reajuste anual programado para o serviço.
Tabela de preços: citado por alguns entregadores, seria uma tabela não ditada pelo governo ou reguladores, mas construída entre entregadores e aplicativos.
Fim de bloqueios indevidos: reclamação constante dos entregadores, que questionam as políticas das empresas que acabam punindo entregadores com bloqueios.
Entrega de EPIs: pedem equipamentos de proteção para trabalhar com mais segurança durante a pandemia.
Apoio contra acidentes: se o entregador sofrer acidentes enquanto usar a plataforma, a ideia é ter algum tipo de auxílio.
Programa de pontos: alguns entregadores questionam sistemas que fazem ranking de entregadores. Gringo cita o da Rappi que, segundo ele, exigiria que a pessoa trabalhasse “de domingo a domingo para pegar os melhores pedidos”
A greve ainda ganhou o apoio do sindicato patronal (Sedersp) e operário (Sindimoto) de entregadores que trabalham com CLT em São Paulo, mas eles não falam sobre as relações entre entregadores e aplicativos. Em nota, a Sedersp diz que os apps “ultrapassaram os limites aceitáveis, uma vez que grande parte das reivindicações são direitos já conquistados pela classe trabalhadora dos motofretistas”.

De acordo com a Tilt, a maior parte dos aplicativos alegaram liberdade de expressão e não devem desligar os entregadores que participarem de movimentos. Além disso, alguns deles rebateram as reivindicações.

paraiba.com.br

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